Automação

Sua Empresa Paga 305 Softwares e Usa Metade

Sua Empresa Paga 305 Softwares e Usa Metade

Resumo: 36% das licenças SaaS ficam ociosas. Três faixas de gasto por setor revelam se sua empresa investe — ou desperdiça.

O Número Que TI Não Vê

A empresa média gerencia 305 aplicações SaaS. Não 30 — trezentas e cinco. O dado é do Zylo SaaS Management Index 2026, construído a partir de 40 milhões de licenças e US$ 75 bilhões em gastos corporativos. Dessas 305 aplicações, 36% das licenças ficam ociosas — pagas, provisionadas e nunca acessadas.

O mais revelador não é o número em si. É quem controla esse gasto: as áreas de negócio respondem por 81% do investimento em software. TI administra diretamente apenas 15%. O restante escapa por compras departamentais, cartões corporativos e assinaturas que nunca passam por procurement.

Se você lidera tecnologia na sua empresa, a pergunta incômoda é: quanto do orçamento que ninguém atribuiu a TI está, na prática, gerando custo de TI — em suporte, integração, segurança e licenças que ninguém cancela?

Quanto Deveria Custar: Os Benchmarks de Referência

A 36ª edição da Pesquisa do Uso de TI da FGV (2025), com dados de 2.672 médias e grandes empresas, coloca o gasto com tecnologia no Brasil em 9,4% a 10% da receita bruta. O CAPU — Custo Anual por Usuário de TI — atingiu R$ 60 mil. No cenário global, o Zylo registra um gasto mediano de US$ 9.455 por funcionário apenas com SaaS, sem contar infraestrutura, telecomunicações ou equipe interna.

Mas a média esconde tudo. Uma empresa de serviços que gasta 10% da receita em TI pode estar investindo bem. A mesma fatia numa indústria pode sinalizar desperdício estrutural. O que importa é a faixa em que a sua empresa opera — e se o gasto gera retorno ou apenas empilha licenças.

Três Faixas: Diagnóstico por Setor

Faixa 1 — Serviços (13,6% da receita em TI)
Empresas de serviços são as maiores investidoras em tecnologia no Brasil, segundo a FGV. Consultorias, escritórios, agências — todas dependem de stack digital para entregar. O risco aqui não é gastar pouco. É gastar muito em ferramentas redundantes. Quando cada departamento escolhe seu próprio software de gestão de projetos, relatórios e comunicação, o resultado é um ecossistema de 12 a 15 ferramentas que fazem variações da mesma coisa. A produtividade não sobe — a complexidade, sim.

Faixa 2 — Indústria (5,4% da receita em TI)
Na indústria, o gasto com TI é historicamente mais contido. Mas o gap entre o que a empresa contrata e o que efetivamente utiliza tende a ser mais pronunciado. ERPs com módulos ativados que ninguém configurou. Licenças de CAD para engenheiros que saíram há dois anos. CRMs que o comercial abandonou no terceiro mês. Cada licença ociosa tem custo de oportunidade: é verba que poderia estar em manutenção preditiva, integração com chão de fábrica ou capacitação do time.

Faixa 3 — Comércio e Varejo (4,5% da receita em TI)
O varejo gasta menos em TI proporcionalmente, mas sofre mais com a fragmentação. PDV, e-commerce, marketplace, ERP, logística, CRM — são cinco ou seis sistemas que raramente conversam. A licença ociosa aqui não é só custo financeiro: é dado que não chega ao estoque, é pedido que não integra ao financeiro, é promoção que não reflete na loja física. A ineficiência se multiplica em cada ponta que não se conecta.

Onde sua operação se encaixa? A conta é direta: pegue o gasto total com software — incluindo assinaturas de departamentos que não passam pelo crivo de TI —, divida pela receita bruta. Se o número está 2 ou mais pontos percentuais acima da média do seu setor e o time ainda reclama de falta de ferramentas, o problema não é escassez. É fragmentação.

O Custo Invisível: Shadow IT e Renovações no Piloto Automático

O termo "shadow IT" soa dramático, mas a realidade é banal. É o marketing assinando uma ferramenta de design no cartão corporativo. É o comercial contratando um CRM paralelo porque o oficial "demora demais para customizar". É o RH usando um formulário pago que ninguém de TI sabe que existe. Segundo Gartner e Everest Group, entre 30% e 50% do gasto total com TI nas empresas acontece fora do controle da área de tecnologia.

No levantamento do Zylo, 78% dos líderes de TI reportam cobranças inesperadas após a assinatura de contratos — especialmente em modelos de precificação por consumo e features de IA embutidas que ninguém solicitou. E 61% foram forçados a cortar projetos estratégicos por conta de aumentos imprevistos no custo de SaaS. Projetos de inovação morrem para pagar renovação de software que ninguém auditou.

O agravante estrutural: 87% do gasto com software corporativo é renovação, não aquisição nova. São 211 renovações por ano na empresa média, a maioria rodando no piloto automático. Ninguém renegocia. Ninguém confronta uso real com licenças contratadas. A ferramenta entra no portfólio e raramente sai — mesmo quando o time que a solicitou já migrou para outra solução.

O Que Muda Quando o Gasto Ganha Visibilidade

Automação nesse contexto não é "substituir pessoas por robôs" — é dar visibilidade a um gasto que cresceu mais rápido do que qualquer controle conseguiu acompanhar. Na prática, funciona assim: o sistema consolida todas as assinaturas de software da empresa, inclusive as que vivem em cartões de departamento, cruza com dados reais de uso por colaborador e gera um painel único. Por ferramenta, o gestor vê quantas licenças estão ativas, quantas ociosas há mais de 90 dias, e quanto a próxima renovação vai custar. A decisão que antes era "renovar ou não" vira "renovar quantas, a que preço, com que justificativa".

Quando a renovação se aproxima, o responsável recebe um alerta com benchmark de preço de mercado, histórico interno de uso e recomendação de ajuste de volume. Informação que transforma uma aprovação automática em decisão de negócio. Um exemplo concreto: uma empresa de serviços B2B com 120 funcionários descobriu, ao mapear seu portfólio, que pagava três ferramentas de gestão de projetos diferentes — uma por departamento, nenhuma integrada à outra. O custo combinado era R$ 18 mil por mês. Ao consolidar numa única plataforma com integração ao ERP, o gasto caiu para R$ 6.500 mensais e o tempo de reporting semanal de cada gerente reduziu em 4 horas.

O resultado mais impactante costuma não ser a economia direta — embora ela pague o projeto rápido. É o que a empresa faz com a verba e o tempo liberados. Quando um terço do orçamento de licenças volta para o caixa ou é redirecionado para ferramentas que o time realmente precisa, a percepção interna muda. TI deixa de ser "a área que pede orçamento" e vira "a área que encontrou dinheiro". Para um CTO que briga por investimento em modernização, esse reposicionamento vale mais que o saving em si.

A Sincron IA inclui esse raio-X de software como uma das primeiras entregas em projetos de automação para empresas de médio porte — porque, antes de automatizar qualquer processo, é preciso saber o que a empresa já paga e não usa.

O Erro Que Todo CTO Comete Uma Vez

O anti-padrão mais frequente: renegociar contratos de software sem dados de uso. O fornecedor sabe exatamente quantas licenças você consome — ele tem o dashboard. Você não. Quando a renovação chega e o único argumento é "queremos desconto", o fornecedor oferece 5% e fecha rápido. Quando o argumento é "temos 340 licenças, uso real de 210, e o mercado pratica valor X por usuário ativo", a dinâmica muda completamente. Empresas que fazem esse dever de casa antes da renovação economizam, em média, 17% sobre o valor anterior, segundo dados do Zylo.

Uma ressalva honesta: nem toda licença ociosa é desperdício puro. Empresas em crescimento mantêm buffer. Equipes sazonais precisam de provisionamento antecipado. Onboarding de novos funcionários exige licenças pré-ativadas. O problema real é quando a ociosidade é acidental — ninguém sabia que aquelas licenças existiam, ninguém mediu, ninguém decidiu manter. A primeira tarefa é distinguir buffer intencional de gasto fantasma. Sem esse filtro, qualquer corte vira guilhotina e gera atrito com as áreas.

Perguntas Que CTOs Fazem Antes de Agir

Quanto tempo leva para ter visibilidade real do portfólio de software?
Na maioria dos casos, entre duas e quatro semanas. A parte mais demorada não é técnica — é convencer cada área a abrir seus gastos departamentais. Depois que os dados estão consolidados, o mapa de uso fica pronto em dias.

E se os departamentos resistirem à consolidação?
Sempre resistem — ninguém quer perder "sua" ferramenta. A chave é não cortar nada na primeira fase. Mostre o mapa de redundância, apresente o custo total, e deixe que o CFO puxe a conversa. Quando o número aparece no slide da diretoria, a resistência diminui sozinha.

Isso se paga em quanto tempo?
A economia em licenças ociosas e renegociações tende a cobrir o investimento no primeiro ciclo de renovações — geralmente entre 3 e 6 meses. O retorno de longo prazo vem da governança: cada software novo entra com dono definido, métrica de uso e data de revisão obrigatória.

Vale a pena para empresas com menos de 100 funcionários?
Se o gasto com SaaS já ultrapassou R$ 30 mil por mês e ninguém consegue listar todas as ferramentas de cabeça, sim. O porte não define a necessidade — a falta de visibilidade define.

Se seu orçamento de software cresceu mais rápido que sua receita nos últimos dois anos e você não sabe dizer exatamente quanto vai para licenças que ninguém usa, esse é o tipo de conversa que a Sincron IA tem antes de automatizar qualquer coisa — e costuma ser a que dá retorno mais rápido.

Compartilhe este artigo

Receba insights de automação e IA

Conteúdo exclusivo sobre automação empresarial, inteligência artificial e produtividade. Sem spam.

Transforme sua empresa com IA

Descubra como a inteligência artificial pode automatizar processos e aumentar a produtividade do seu negócio.

Conhecer a Sincron IA